Comprar domínios expirados pelos links?

Um dos prémios mais apetecidos por quem investe em domínios e trabalha com SEO são os domínios não renovados. Esses domínios têm normalmente algum tráfego, associado à actividade desenvolvida pelo anterior proprietário, links externos, poderão até ter um bom posicionamento nos motores de busca e ser valiosos para o link building.

Pela quantidade de links que angariam e pelo seu custo os blogues são um dos principais alvos dos exploradores: quem é que nunca regressou a um blog de que foi em tempos leitor para o ver cheio de links para sites de cupões, viagens ou mesmo p0rno?

O AEIOU deixou cair o domínio Ciberia.pt e o João José, rato, foi a correr registá-lo. Não sei o que ele vai fazer com o domínio mas tem já em seu poder uma marca reconhecida por muitos internautas, um domínio familiar e ligações em pelo menos 1800 páginas da web – o que lhe há-de garantir algumas visitas.

A este ponto o leitor já estará a fazer contas aos links: 1800 links, antigos, muitos de fontes reputadas, não serão propriamente o jackpot, mas constituem uma bela caçada. Infelizmente para o João (e eu não publicaria este post se não estivesse certo que no Google seguem owebkaput), o Google coloca os links do domínio a zero assim como, estou em crer, a idade do domínio. Comprar domínios expirados para o SEO não compensa, pelo menos se o Google poder aceder ao site antes da transacção estar concluída.

Não será bem começar de novo, mas é quase.

A vantagem de ter o blog em domínio próprio

Há várias semanas que deixei de ler um certo e excelente blog, o qual foi, em tempos não muito distantes, de visita diária obrigatória. Razão para o afastamento: o dito blog mudou de plataforma e eu não me dei ao trabalho de actualizar os meus favoritos.
Hoje, outro dos meus preferidos, o Blasfémias, deu um passo em direcção à sua independência do blogger: deixou o blogspot e está agora em www.blasfemias.net.

Em vez de entregar a sua marca a outra plataforma de blogs, os blasfemos optaram por ser donos do seu destino e compraram o domínio onde o blog há-de permanecer para o futuro. A liberdade tem um preço, embora bastante acessível: 10 dólares/ano.

Na prática nada mudou: o blasfémias continua, por agora, alojado no blogger (em domain mapping) e o feed é servido pelo feedburner (também do Google).
Mas, doravante tudo poderá ser diferente: quando os autores decidirem utilizar uma nova plataforma ou contratar alojamento sabem que não precisam de pedir autorização a ninguém ou de obrigar os seus visitantes a alterar os seus hábitos. Basta apontar para o novo serviço.

Quem tem um blog alojado em subdomínio de uma plataforma já percebeu que enquanto ali permanecer estará sujeito a flutuações na qualidade do serviço. E que o “seu” endereço não é realmente seu, mas da plataforma, que dificilmente verá interesse em cedê-lo permanentemente. Deseja mudar? Força, mas diga adeus às visitas dos motores de busca nos próximos tempos e a muitos dos seus visitantes e enlances. Se uma plataforma não lhe permite redireccionar livremente o seu blog para outro endereço então estamos perante um caso de aprisionamento tecnológico e o blog não será realmente «gratuito».

Mais importante do que para indexação nos motores de busca ou para fidelizar visitantes, o domínio constitui parte importante da identidade de um blog e de cada vez que se muda de endereço há uma parte do blog, irrecuperável, que fica para trás. Se para si blogar é um hobby a que se dedica com seriedade não espere mais e registe o seu próprio domínio.

Pergunta para jackpot

O que acontece aos domínios registrados com base num pedido de marca se esses pedidos forem rejeitados depois da liberalização do registo dos domínios PT? Ou seja, o requerente não teria o direito a ficar com o domínio segundo as regras em vigor. Todavia, uma vez liberalizados os domínios, não será preciso marca para ser titular dos mesmos…

No outro dia estive a investigar a base de dados do INPI e notei que alguns requentes acumulavam pedidos de marcas para domínios valiosos – valores na ordem dos milhares de euros. Aposto que pelo menos alguns desses pedidos serão recusados, resta saber se antes ou depois da liberalização. A resposta poderá valer milhões.

A forma simples de “alojar” um blog em dominio próprio

Há muito autor que bloga em subdomínio blogspot, wordpress ou do sapo que gostaria de o fazer no seu próprio domínio.com, mas julga que desiste da ideia perante o cenário de custos de dezenas de euros ao ano, algumas dores de cabeça e sobretudo pelo trabalho e conhecimento técnico necessário. E se em causa estiver um blog “auto -alojado” (como este) o julgamento não estará incorrecto.

O que a maioria das pessoas desconhece é que podem ter o seu blog.com ou sitio.pt por míseros 10/20 euros anuais e sem qualquer necessidade de instalar ou manter software.

Nem todos os bloggers sentem necessidade de ter o seu domínio ou de depender apenas de si próprios no que toca à morada do que publicam. Já com empresas é normalmente ao contrário: com excepção de blogs em nichos/comunidades de amadores e artistas artesanais que se estabelecem em alguns círculos, uma empresa têm muito pouco a ganhar com um blog com endereço blogspot.com.

Um destes subdomínios poderá até ter um impacto negativo na imagem de uma empresa, particularmente quando estas operam nos campos da internet e serviços web, marketing, reações públicas ou comunicação.

O maior obstáculo existente ao alojamento do blog em serviço contratado não são os 40,50 ou 80 euros que custam alojamento e domínio ao ano. São sim os conhecimentos técnicos necessários para instalar e gerir o software.
Esta é normalmente a melhor opção, mas se não tem estes conhecimentos, não tem por perto quem saiba, ou não está disposto a investir os recursos necessários para pagara a alguém para instalar, gerir e actualizar software como o wordpress que mantém este e milhares de outros blogs, então deve provavelmente ignorá-la.

A sua melhor alternativa encontra-se no wordpress, blogger ou typepad. Estes serviços, dois dos quais oferecem subdomínios gratuitamente, disponibilizam serviços de domain mapping a preços extremamente acessíveis.

O que é Domain Mapping

O Domain Mapping consiste em redireccionar um domínio para um segundo domínio, permanecendo o blog alojado no primeiro domínio. Confuso? Imagine o blog omeublog.wordpress.com: o domain mapping fará com que ele possa ser visto na morada omeublogpontocom.com (por exemplo) e apenas aí – e o mesmo se passará com todas as páginas do blogs. O blog continuará alojado no wordpress e poderá no futuro regressar ao endereço original se o responsável assim o entender, mas até lá wordpress.com nunca aparecerá na morada do blog.

Quais as vantagens? Para começar haverá apenas um domínio para o blog – e não dois que poderá confundir os visitantes. Um domínio garante absoluto controlo sobre o que publicamos e onde alojamos o blog -se o serviço der problemas será bastante simples efectuar a mudança para outro serviço ou até para um blog auto alojado. Se mais tarde decidir alargar o âmbito do projecto terá no domínio espaço para criar mais páginas e recursos. Finalmente há a questão dos links noutros blogs, e para SEO.

Serviços de blogs com Domain Mapping

O Domain mapping do blogger é, estou em crer, gratuito tendo o requerente apenas que registar o domínio e seguir as instruções.

setup domain mapping blogger

Uma única tarefa e está o processo resolvido. O blog poderá ficar alojado no domínio ou em subdomínio (directórios não são aceites).

O Typepad é um serviço pioneiro de blogging comercial mas com fraca implementação em Portugal. O serviço de domain mapping está incluído em pacotes a partir de 89 USD /ano. Não tenho qualquer experiência do serviço, sei apenas que é utilizado por alguns dos blogger mais lidos do planeta e julgo que poderão experimentar gratuitamente durante um mês.

Finalmente, o meu favorito: domain mapping do wordpress.com. Este serviço custa 10 dólares/ano ou 15 com domínio .com, .net incluído (mas não .pt /.com.pt) ou seja ~ 12 euros, tanto quanto alguns serviços cobram pelo registo de domínios). Tem o melhor software, uma comunidade portuguesa dinâmica e em crescimento, é o melhor para o SEO, permite a exportação de entradas de uma forma simples e oferece ainda a opção de criar uma conta de e-mail para o domínio.
Recomendo o wordpress.com a todos os interessados, excepto talvez àqueles que estão habituados ao blogger e não confiam nas suas capacidades de adaptação a um novo software ou simplesmente dão-se por satisfeitos com este.
Um extra motivador é o factor técnico: registar o domínio através do serviço significa que todo o trabalho será feito pelo wordpress.com. A empresa oferece ainda a possibilidade de alojar o blog num subdomínio (blog.sitio.pt), que é a solução natural para uma empresa ou pessoa que já tenha um site próprio.

A ter em conta

Se já tem um blog num destes serviços e pretende-o redireccionar para o seu próprio domínio, será como se começasse de novo para os motores de busca, em nova morada. Convém pedir a todos quantos tenham links para o site para os actualizarem.

Antes de fazer o domain mapping experimente o serviço pretendido. Não custa nada e pode evitar dissabores.

Se o tráfego dos motores de busca é importante a curto e médio prazo trate de registar um domínio .pt ou subdomínio do mesmo (registe o seu .com /.net, etc. na central webmaster do Google e terá o assunto resolvido). Os domínios .pt serão liberalizados ainda este ano. Se teme que alguém o possa registar por si antecipe-se e registe a sua marca. Em caso algum patrocine os ciber-piratas pagando-lhes um resgate pelo domínio que pretende.

Para evitar confusões: wordpress= software que gere este e milhares de blogs no planeta; wordpress.com= plataforma de blogs (como o blogger ou os blogs do sapo/iol) gratuita que utiliza o software wordpress.

Ainda o Online.pt

Publicar informação e juízos de valor com base em informação limitada presta-se a interpretações grosseiras e isso certamente aconteceu na análise do caso online.pt, aqui e noutros blogs. A vantagem dos blogs e do meio digital é a possibilidade de editar e corrigir no artigo em vez de publicar mais tarde uma retratação numa parte do site que ninguém lê.

Ainda não sei bem o que se me oferece concluir desta trapalhada, todavia sinto que devo partilhar com os leitores alguma informação que foi deixada nos comentários ou que encontrei na web, assim como algumas ideias.

A FCCN esclarece em comunicado que deu um prazo alargado à empresa por “haver várias entidades com subdomínios de “online” e “sa”“. A FCCN esperou três meses que a Walpaper resolvesse o assunto com os seus clientes.

Pergunta para a FCCN: porquê só agora, quando o registo da marca foi recusado pela segunda e última vez em Maio de 2002 e a actividade continuada da Caleida/walpaper era pública e notória? Uma intervenção antecipada teria evitado que muitos webmasters contratassem os serviços da empresa.

Segundo o comunicado, a Walpaper sabia que o domínio seria revogado desde Julho último mas pelo que leio nas entrelinhas da mensagem que o Rui publicou, só à última da hora avisou os seus clientes. A conclusão que se me oferece é a de que a empresa tentou usar os clientes do serviço para continuar com a exploração do domínio e que foi completamente irresponsável ao não avisar os clientes em tempo útil (para que, por exemplo, estes pudessem mudar-se para novo domínio.)
A ser assim a empresa arriscava-se a ser processada pela sua negligência não fora a intervenção da 100 limite.

Sobre a 100 Limite, a empresa que está agora a gerir o domínio para “remediar a situação para os clientes seus”: segundo este comentário do webmasterdevil, que diz conhecer as duas empresas, a 100 Limite e a Ondas Lineares são duas empresas distintas:

O que aqui aconteceu aqui foi uma oportunidade aproveitada pela 100 em que vendo o domínio online.pt disponível viu a hipotese em o registar.. como 100 Limite ainda não contem a palavra “online” (pelo menos no meu dicionário…) eis que por milagre surge Ondas Lineares sendo por acaso cliente da 100 Limite apresenta todas as condições para efectuar este registo à pressa.

A história da carochinha já passou à muito e não me enrolem que o que se vê aqui é uma vontade enorme em ganhar dinheiro, não pela parte das Ondas Lineares que pretendiam desde à 6 anos registar este domínio (isto eu garanto), mas sim por parte do Administrador (sim singular) da 100 Limite que viu aqui uma excelente fonte de rendimento sem se esforçar muito…

Preocupados com sub-domínios dos seus clientes hehehehehehehehehe

Adorei a resposta…
Pessoal vamos a abrir os olhos que para manter o domínio xxxx.online.pt devem contactar as Ondas Lineares e não a 100 Limite.
As Ondas Lineares nem sabe o que lhes caiu aos pés…

Não fora haver umas centenas de webmasters pelo meio e seria até de aplaudir o golpe.

Adenda: Resposta da 100 nos comentários.

A responsabilidade da FCCN

A FCCN prepara-se para

[Act.: Corrigido. Removi o (ir)- do título e embora mantenha o texto não me revejo nele. Leiam o comunicado da FCCN que o Pedro Veiga deixou nos comentários. Quem realmente deu barraca foi a Caleida/ Walpaper que sabia há muito não ser proprietária daquela marca, estava avisada desde Julho e parece que ainda recentemente pedia a renovação dos subdomínios…]

deitar fora a criança com a água do banho. Centenas de entidades e webmasters com sites alojados em subdomínios online.pt ou sa.pt arriscam-se a ficar sem eles porque a FCCN detectou que as marcas correspondentes nunca deram entrada no INPI. Isto ao fim de 9 anos.
A Walpaper (que gere os domínios) terá mesmo proposto renunciar aos direitos comerciais sobre os domínios, ficando estes a cargo da FCCN de forma a salvaguardar os interesses dos clientes.

A FCCN está a tratar webmasters como o Rui por cybersquatters. Está também a causar-lhes perdas avultadas.

ADENDA: Uma consulta à base de dados do INPI oferece os seguintes resultados para o registo da marca Online:

registo da marca online

1ª tentativa de registo:

Data de Apresentação:
Data do Pedido:
Tipo de Modalidade:

Fase Actual:

2ª tentativa:

Data de Apresentação:
Data do Pedido:
Tipo de Modalidade:

Fase Actual:  
Início da Fase:

Os pedidos de registo internacional são de marcas estrangeiras.

SEO no nome dos domínios

O SEO é de tal forma importante no desenvolvimento de sites que cada vez mais está presente no embrião dos projectos: a escolha do domínio. Um bom domínio para SEO inclui a(s) palavra(s) chave do projecto que os poderão ajudar a obter mais visitas pelos motores de busca. Essencialmente são 2 os principais factores a tomarr em conta:

1. O uso de palavras chave no domínio é um factor no posicionamento dos resultados per se. O seu peso no algoritmo de posicionamento poderá ser sobrestimado pelo efeito do texto âncora (2), de qualquer forma um domínio representa um compromisso quase sempre a longo prazo e os motores de busca têm-no em consideração.
(Também o uso de keywords na url das páginas individuais alojadas no site é recomendado, embora o impacto seja muito pouco.)

2. O peso do texto âncora. Um dos principais factores nos rankings dos motores de busca, particularmente no Google, é aquilo que de nós dizem os outros quando nos linkam – o texto ancora do link, ou aquele que lhe está próximo.
Um site com o domínio carrosusados.pt será mais fácil e comummente referido por “carros usados” do que o site do comerciante “bolhosacar.pt” em links de sites externos.

3. Conversão nos motores de busca, embora a inexistência das palavras chave no domínio possa ser parcialmente colmatada pela presença destas na url da página.
De acordo com evidência empírica um site cuja url inclua as keywords terá maior probabilidade de ser clicado nos resultados do que se as não tivesse. É também por isso que frequentemente os anúncios contextuais nos motores de pesquisa incluem os termos da busca no título, cópia e url: mais cliques. No Google existe ainda o factor adicional de estes aparecerem a negrito.

Quer isto dizer que um domínio que inclua as keywords é sempre preferível a um nome genérico?
De forma alguma. Com os bons nomes cada vez mais raros alguém que queira incluir incluir as palavras chave no domínio arrisca-se a registar algo do género marketing-em-motores-de-busca.info, um nome difícil de lembrar e até de confiar. É também bastante plausível que num futuro próximo os motores de busca desenvolvam novos algoritmos que lhes permitam prescindir de proxies como o nome de um blog e filtrar o texto âncora consoante corresponda a nomeação ou atribuição.

O domínio de um site é um dos elementos mais importantes da sua marca, muitas vezes confundindo-se com a mesma. Um nome generalista é mais difícil de promover a início (e não só nos motores de busca) mas uma vez ultrapassados os obstáculos iniciais o site terá maior facilidade em distinguir-se da concorrência e estará livre de constrangimentos para diversificar as suas actividades. Pensem amazon!

As novas regras para os domínios .pt

Quando ontem publiquei sobre registo de domínios pt fi-lo sem antes ter lido a notícia publicado no suplemento. Mais tarde recebi o pdf por email (obrigado, Hugo!)
O artigo, que tem por base uma entrevista com alguns representantes da FCCN, essencialmente diz que:

Algumas perguntas que ficaram por responder

Se a FCCN está a a par dos negócios fraudulentos que se geram a partir dos domínios .pt porque não intervém no sentido de moralizar o mercado? É até bastante simples encontrar alguns desses domínios à venda ou em domain parking.

Porque não se encontra informação acessível a leigos no dns.pt?

Haverá maneira de desmotivar a tomada fraudulenta de domínios por especuladores, através de uma caução, por exemplo?

A FCCN tem interesse e forma de evitar que meia dúzia de graúdos açambarquem os domínios mais apetecidos e possam realizar mais-valias significativas de um momento para o outro? Por exemplo o leilão de alguns dos domínios está fora de causa?

O registo de domínios com nomes de pessoas como www.josemourinho.pt vai realmente ser aberto a qualquer um (e não apenas a quem tiver o nome no BI)? Em caso afirmativo o que poderá ser feito para prevenir abusos?

Artigo 9º – Nomes de Domínio Proibidos

1. Para além das proibições previstas para cada hierarquia de .pt, o nome do domínio/subdomínio não pode:

1. Corresponder a palavras ou expressões contrárias à lei, à ordem pública ou bons costumes;

2. Corresponder a nomes que induzam em erro ou confusão sobre a sua titularidade, nomeadamente por coincidirem com marcas notórias ou de prestígio pertencentes a outrém;

3. Corresponder a qualquer domínio de topo da Internet, existente ou em vias de criação;

4. Corresponder a quaisquer protocolos, aplicações ou terminologias da Internet, sendo estes entendidos como os que são definidos pelo IETF.

5. Conter dois hífens — seguidos nas terceira e quarta posições do nome de domínio/subdomínio.

6. Corresponder a um nome de âmbito geográfico, salvo para os registos na hierarquia .com.pt na qual não se aplica esta proibição e directamente sob .pt nos termos da alínea b) do n.º1 do artigo 11º.

2. Um nome de domínio/subdomínio não poderá ser igual a outro nome de domínio/subdomínio anteriormente registado na hierarquia pretendida (directamente sob .pt ou sob qualquer domínio classificador), podendo, no entanto, ser registado o mesmo nome em hierarquias diferentes.

Ps: Alguém me sabe explicar o que é um domínio de topo da internet em vias de criação (1c)?

Registo de Domínios PT vai ser liberalizado

A FCCN vai proceder à liberalização do registo de domínios .pt até Dezembro. A notícia é do Público Digital (a original está no suplemento, atrás da firewall), “registar um domínio .pt com o próprio nome, de outra pessoa qualquer ou mesmo de uma marca vai ser muito mais fácil dentro de três meses” (negritos meu). Os domínios que se seguem poderão ser registados por qualquer pessoa:

registo dominio ptwww.pintodacosta.pt
www.cristianoronaldo.pt
www.josemourinho.pt

www.porto.pt
www.portugal.pt

www.pachecopereira.pt
www.josesocrates.pt

www.hermanjose.pt
www.josesaramago.pt
www.gatofedorento.pt

A corrida ao ouro será inevitável mas isso não quer dizer que *todos* os domínios possam ser registados por qualquer um, pelo menos legitimamente.

A actual legislação de registos de domínios .pt tem sido abusada por alguns privilegiados do sistema mas impõe restrições gerais que não só limitam e desincentivam o chamado cybersquatting de domínios, como estão em linha com o que é praticado por essa europa fora. Mais, a legislação já prevê o registo liberal de domínios, neste caso do subdomínio .com.pt, sujeito apenas às restrições gerais.

O que diz a lei

A actual lei, no seu artigo 9º (pág. 10 deste pdf) dispõe:

Nomes de Domínios Proibidos:

1. Para além das proibições previstas para cada hierarquia de .pt, o nome de domínio/subdomínio não pode:
(…)
b) Corresponder a nomes que induzam em erro ou confusão sobre a sua titularidade, nomeadamente por coincidirem com marcas notórios ou de prestígio pertencentes a outrem;

c) corresponder a qualquer domínio de topo da Internet, existente ou em vias de criação;
(…)
f) corresponder a um nome de âmbito geográfico (…)

Estas são as regras gerais e que se aplicam a todos os domínios e subdomínios, incluindo o subdomínio .com.pt (Art 25º, Legitimidade: Não há qualquer restrição quanto à natureza dos titulares de nomes de subdomínio de .com.pt; o artigo 27º declara os subdomínios sob .com.pt como intransmissíveis.)
Quanto ao registo de domínios com nomes de pessoas, o artigo 30º (página 17) regula a composição dos subdomínios .nome.pt:

O Nome do subdomínio de .nome.pt deverá ser composto por:

a) Dois ou mais dos nomes constantes do bilhete de identidade ou do título de residência da pessoa que o requerer, um dos quais deverá ser apelido, (…)

b) O nome literário, artístico, científico ou profissional usado pela pessoa que o requerer.

Se verificarem com atenção estas regras deveriam ser suficientes para impedir o registo de todos os domínios que copiei acima do artigo nos subdomínios .com.pt e .nome.pt (quando aplicável) por qualquer um. A manter-se esta moldura legislativa – não li o artigo mas não vejo razão para pensar que seja alterada, também não poderão ser registados legitimamente sob .pt. De acordo com o artigo, as regras para registo de domínios .pt serão as que são neste momento aplicáveis ao .com.pt, com excepção da intransmissibilidade.

Lá fora é prática comum e aceite o não registo de domínios com nomes e marcas de terceiros, quando esse domínio é utilizado para alojar um website. Por exemplo, pesquisando por inurl:josemourinho (sites com josemourinho na url) encontram-se apenas alguns subdomínios “josemourinho.dominio.com”. Os domínios (.com .net .biz) são utilizados para domain parking, a opção que resta a quem registou um domínio que sabe não lhe pertencer. Um website num domínio ilegítimo arrisca-se a ser vítima do seu próprio sucesso, uma vez que quanto maior a sua relevância maior a probabilidade de aparecer no radar dos legítimos proprietários ou de alguém contratato para o efeito (há empresas que prestam este serviço). A única excepção aos domínios estacionados parece ser josemourinho.us, um “site de um fã”…

Arbitragem Voluntária

Em Portugal há já quem registe abusivamente domínios .pt ou subdomínios .com.pt (por exemplo, benfica.com.pt ou braga.com.pt aparentam ser sites activos e legítimos embora o seu registo esteja em clara violação das disposições acima enunciadas) e sujeitam-se carregar com a casa às costas um dia destes.
Outros são transaccionados, como este liga.pt (link em camisa de vénus) à venda no Sedo… No passado, outros casos foram reportados em blogs.

O problema parece estar na FCCN que permite o registo arbitrário de domínios que se possam confundir com marcas e nomes geográficos, reservando-se apenas ao direito de efectuar uma fiscalização a posteriori e por amostragem. Quem se sentir lesado poderá recorrer para a FCCN, uma vez que,

“Em caso de conflito sobre nomes de domínios ou de subdomínios, os titulares dos mesmos, comprometem-se a recorrer à arbitragem voluntária e institucionalizada” (Artigo 52).

A FCCN transfere desta forma a fiscalização do registo para os particulares, mesmo nos casos mais gritantes. Daí que não seja descabido de todo a apresentação da lista publicada acima como “domínios que qualquer um poderá registar”. Muitos proprietários de marcas não estão a par do direito ao recurso à arbitragem, sob que condições é efectuada (gratuita? Paga?) e vêem nos tribunais um recurso dispendioso e moroso. O site dns.pt indica secamente na sua Faq:

FAQ 36 – O que é o processo de arbitragem?

O processo de arbitragem consiste num mecanismo extrajudicial de resolução de conflitos, nos termos do qual, em caso de conflito sobre nomes de domínios ou de subdomínios, os titulares dos mesmos se comprometem a recorrer à arbitragem voluntária institucionalizada, prevista e regulamentada respectivamente no artigo 38º da Lei 31/86, de 29 de Agosto e Portaria 81/2001 de 8 de Fevereiro.

Não há qualquer instrução para recurso, nenhum link ou indicação de como proceder para os menos versados no Diário da República. A FCCN disponibiliza os seguintes contactos, pelo que sugiro aos interessados que façam uso deles:

Se a FCCN pretende evitar confusões desnecessárias com a liberalização de domínios .pt seria boa ideia que começasse por enviar sinais claros para o mercado de forma a desincentivar este tipo de práticas abusivas. Não me parece faltar muito para que sites como o braga.com.pt (portal Bracarente registado há apenas um ano; fazer whois) possam invocar em tribunal o laxismo da FCCN e os direitos entretanto adquiridos em sua defesa.

Quadro resumo das actuais condições

registo dominios pt

Este quadro, colhido no PDF com a regulamentação, lista as condições actuais para o registo nos diversos (sub)domínios .pt.

Apple compra domínio iphone.com

Não era minha intenção abordar o já de sihyperblogado iPhone, mas já que meti a minha colherada no artigo sobre a estratégia da Apple para o IPhone no E&F, não passo sem deixar de notar que a Apple terá pago por estes dias valores na ordem dos 7 dígitos para assegurar a posse do domínio iPhone.com. Apesar de ter, desde 99, o domínio iphone.org. Este é um testemunho de que, mais do que motores de busca ou o site oficial da empresa, milhares de pessoas continuam a assumir o domínio dotCOM como recurso legítima e natural para um produto, serviço ou empresa.
Se a Apple o tivesse feito há alguns meses, antes do anuncia do iphone, teria por certo poupado algumas centenas.

Os potenciais caçadores de ouro podem permanecer sentadinhos nas respectivas cadeiras: o domínio foi primeiro registado em 1995, os bons domínios estão *quase* todos tomados (para quem pensa que os nomes dos sites 2.0 são inovadores.. think again :-) ) e as poucas oportunidades que subsistem estão apenas ao alcance de domainers profissionais.

(via Rui Carmo)

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