Uma Visão Anacrónica

Se este banner fosse animado poderia perfeitamente passar pela cobertura das eleições de há oito anos atrás:

eleições EUA na visão

De uma artigo na Visão sobre as eleições americanas.

Longe de mim sugerir que o link devesse ter um texto âncora “perfeito” eleições nos EUA. Para o que se pretende uma chamada de acção seria provavelmente ideal: Clique aqui para o especial….
De um “clique na imagem” é que não estava à espera num site tão bem desenhado e moderno (se ignorarmos o SEO) como o da Visão.

Link para Saltar a Intro nos resultados do Google

Google skip intro

Os SEOs e especialistas de usabilidade sempre reagiram contra as páginas inúteis em flash e particularmente contra os monos conhecidos como “splash page” – a página de entrada que não raramente força os utilizadores a esperar minutos para aceder ao site.
Já quase toda a gente percebeu que aquelas belas páginas de entrada em flash não servem para nada senão irritar e consumir o tempo dos utilizadores.

O Google também se terá apercebido disso e decidiu que era tempo de oferecer aos seus utilizadores a possibilidade de saltar a intro, como se pode ver na captura. Se eu fosse designer daria ouvidos ao Google antes de atender ao próximo pedido de um cliente…
(Via Blogoscoped.)

Conteúdos duplicados: mais vale prevenir

Se isto acontece a um site com a autoridade do TEK também pode acontecer ao vosso:

noticia do tek.sapo no portugalzone

A notícia é do TEK e é sindicada na integra no portugalzone.com (um site que sindica ainda conteúdos da Lusa, do Youtube e do Flickr; se tem conteúdos próprios passaram-me ao lado).
A página do TEK é neste momento o primeiro resultado para a busca, mas durante a manhã, quando recolhi esta captura, não aparecia nos resultados: foi tida como um conteúdo duplicado.

Embora o Google esteja cada vez melhor a fazer a distinção entre o original e o duplicado fica sempre bem incluir um link para o original.

NYTimes rende-se à Web

Tal como meia blogoesfera já observou a edição diária e parte do site do  New York Times pode, desde ontem, ser acedido gratuitamente na sua totalidade, incluindo boa parte do arquivo. O jornal abandona a subscrição dos conteúdos premium, experiência que durou 2 anos e especula-se que o Wall Street Journal lhe possa seguir os passos muito em breve. Gostaria de realçar  esta frase no jornal:

What changed, The Times said, was that many more readers started coming to the site from search engines and links on other sites instead of coming directly to NYTimes.com.

Perante um conjunto quase ilimitado de fontes à sua escolha, a esmagadora maioria dos leitores do jornal não reconheceu valor à subscrição paga e o NYT percebeu finalmente que o futuro da sua edição online passa pela abertura de conteúdos e monetização através da publicidade. Em vez de combater moinhos de vento, o jornal alavanca a sua autoridade através da blogoesfera, fóruns e os sites em geral para obter ainda mais visitantes, directamente ou pelos motores de busca (já aqui notei o SEO agressivo do jornal).

Se os conteúdos de um dos jornais mais reputados estão agora livremente na web (e cada vez mais nos resultados dos motores de busca), existe alguma razão para que outros jornais mantenham edições fechadas para assinantes ou em formatos que nada se prestam à navegação e à experiência do utilizador? Refiro-me concretamente ao Público, Bola e Rádio Renascença, se bem que possa haver outros. Não estará na altura de repensar a estratégia das edições em linha e, aproveitando a oportunidade, prestar atenção ao SEO?

Porque gostam os motores de busca de blogs

Algumas teorias da conspiração marginais sugerem que o google gosta dos blogs porque o google é dono do blogger e os blogs estão entre os principais utilizadores do adsense. Outras sugerem que é uma forma de o Google continuar a receber elogios e preferências dos blogs… Não é nada disso.
Os blogs surgem frequentemente em boa posição nos rankings dos motores de busca essencialmente por três razões: arquitectura, relevância e actualidade e links. Esta é a segunda entrada da série optimizar blogs.

Relevância e Actualidade

Há um velho chavão no SEO repetido até à exaustão: content is king. Dito de outra forma, o mais importante da optimização são os conteúdos, bons textos que os teus visitantes vão querer guardar e divulgar aos amigos.

Os motores de busca não lêem blogs mas sabem que os seus autores são frequentemente formiguinhas incansáveis na produção de artigos, que se esmeram na escrita por coisas tão banais como o orgulho e impressionar os leitores e que fazem um acompanhamento intensivo das notícias. Na realidade os motores de busca não sabem nem assumem tal coisa apenas porque um site está alojado no blogger ou usa wordpress, mas deduzem-no por uma série de sinais exteriores.

A arquitectura dos blogs

Na sua essência os blogs são CMSs – sistemas gestores de conteúdos que listam os últimos artigos na página principal em ordem cronológica inversa. Há determinadas características destes CMS, algumas necessárias para evitar que os utilizadores mexam no código fonte outras que se padronizaram com a evolução dos blogs, que os favorecem junto dos motores de busca. Por exemplo, as urls simples e amigáveis, os títulos das entradas enquanto title tag no header, o link automático para a página principal em todas as páginas (normalmente sob o nome do blog), os arquivos e o uso de categorias e etiquetas. Particularmente estas permitem catalogar as diferentes secções e entradas do blog de acordo com o tema e assunto, facilitando também a indexação pelos motores de busca.

Algumas dicas

De links falaremos na próxima segunda-feira em entrada própria.

Feed parcial: normalmente uma má ideia

feed parcialMuitos autores de blogs acreditam que um feed completo lhes tira leitores e optam pela publicação de um feed parcial. Têm os agregadores de feeds por concorrentes que subtraem visitas aos seus blogs.

Estão a utilizar a equação errada.

Na realidade quem assina um feed, assina também outros 10 ou 100. À medida que as pessoas consomem mais feeds a sua disponibilidade para visitar páginas externas aos agregadores com base num simples excerto ou parágrafo introdutório diminui. Ou seja, feed reading is consumption-oriented, not transactionally focused. Quanto mais a concorrência no espaço temático de cada blog aumenta, mais escolha tem o assinante.
A escolha não é agora entre ler o blog x no agregador ou no site, mas sim entre continuar a ler o blog x com feed parcial ou ler o blog y com feed completo.

Qual a sua preferência para ler feeds?









View Results

(Nota: a votação não funciona parece funcionar se estiverem a ler o feed no agredador ou no PG, mas terá de visitar o blog para ver os resultados.)

É algo que observo na minha leitura diária de feeds. Sites com feed parciais ficam normalmente para leitura após todos os outros, chegando por vezes a acumular semanas de entradas. Removo periodicamente sites com feed parciais do meu agregador por falta de paciência para seguir os links, porque a sua leitura não acrescenta muito valor ao esforço que me é exigido, porque já li o mesmo noutros blogs ou porque os excertos são pouco informativos. Os poucos blogs com feed parcial que lá permanecem são para mim insubstituíveis.
Por enquanto…

Uma das razões apontadas para não publicar feeds completos são os comentários, supostamente em menor número com feed completo. O Bruno Amaral observou o contrário, no seu relações públicas: os comentários aumentaram desde que publica feed completo. Se o seu blog não atrai os comentários que deseja talvez seja melhor começar por procurar outras causas.

Uma segunda objecção prende-se com o uso que scrappers poderão fazer dos conteúdos, republicando-os em outros sites para ganhar uns trocos. É verdade que tal facilita o roubo de conteúdos, mas este é um problema sobretudo em inglês e ao qual os motores de busca estão bastante atentos. Não só o vosso blog não será prejudicado como poderão beneficiar se incluírem frequentemente links para artigos vossos nas entradas.

Outra objecção prende-se com a publicação de muitos artigos diariamente, sobre diversos temas. Alguns leitores poderão não gostar de ter feeds completos quando só uma minoria das entradas lhe interessam. Este problema poderá ser normalmente sugerido lembrando aos leitores que muitos agregadores permitem receber apenas excertos das entradas.

Finalmente, o argumento que me parece mais sólido, as visitas oriundas de um feed parcial ou excerto oferece ao autor informação sobre o interesse dos leitores no assunto de cada entrada e sobre a sua capacidade para escrever introduções que despertem a curiosidade nos leitores. Foi o que eu fiz até introduzir o plugin do feed completo.

Algumas das entradas surgem neste blog cortadas com a sugestão “Continue a ler…“, uma das funcionalidades do wordpress. Normalmente utilizo-o para entradas mais longas. Antes de descobrir o plugin, o feed do blog era cortado por aí e eu aproveitei para testar o interesse dos leitores em algumas entradas, bem como preparar alguns teasers (é o caso desta entrada). As informações que recolhi foram positivas e ajudaram-me a identificar assuntos e entradas mais bem sucedidas, mas não me lembro de alguma vez ter recebido sequer a visita de metade dos subscritores do feed. É certo que estes leitores eram pré-qualificados, mas não me parece que valha a pena excluir a maior parte dos leitores. Para mais, muitos dos leitores mais apressados são também eles bloggers e se eles não chegam a ler as entradas não as poderão comentar e divulgar nos seus blogs.

As palavras mais procuradas pelos portugueses

Será Youtube realmente a palavra mais procurada pelos portugueses?
Os dados do Google Trends sugerem outras palavras como mais buscadas. E o estudo da Marktest enferma de uma “pequena” limitação
(adendado: 24.05.)

A Marktest pôs cá fora um top das pesquisas para o primeiro trimestre, tendo por base a análise do comportamento dos internautas portugueses a partir de um painel de utilização doméstica. As informações são recolhidas de um painel de 1000 lares voluntários seleccionados aleatóriamente -mais informação no site da Marktest. Curioso em saber da validade das conclusões obtidas através deste painel, resolvi comparar com os resultados do Google Trends.

Segundo as notícias, o estudo apresenta Youtube, hi5 e gmail no top das pesquisas dos portugueses. No top ten encontram-se ainda jogos, Google, Wikipedia, Hotmail, Sapo e Sexo. O Google trends permite comparar resultados para até 5 termos de cada vez, vejamos os primeiros:

google trends
Quadro 1 (clique para verificar no Google Trends)

A amostra do Google apresenta o termo hi5 como o mais popular, e a grande distância do líder do painel Marktest – quase o dobro do número de buscas para youtube. Jogos e gmail empatam para o segundo posto.
Vejamos os restantes termos:

trends
Quadro 2

Sexo e sapo destacam-se claramente. Juntando estes dois com os três mais populares do quadro 1:

Sites mais visitados
Quadro final

Segundo o Google Trends destes 9 termos, o mais procurado foi hi5, seguido por jogos e gmail.
Os resultados do Google trends sugerem que o estudo da Marktest possa ter sobrevalorizado as buscas por youtube e que a ordem das palavras mais pesquisadas possa ser diversa da apresentada pelo estudo. Todavia conclusões só poderão ser inferidas após a publicação pelo Google dos dados para o mês de Março.

Em defesa do painel Marktest convém referir que a amostra do Google baseia-se em buscas no próprio site, não incluindo buscas sindicalizadas a terceiras (ex: sapo, aeiou) ou de outras fontes como o yahoo e a msn: deste modo ficam de fora 50% dos utilizadores da internet em Portugal. O Google admite ainda que possa haver imprecisões com esta ferramenta. É ainda possível que haja diferenças relevantes na metodologia utilizada para agregar os resultados.

O estudo com base no painel também tem as suas limitações. Talvez por ser tão evidente que me deixar passar que o estudo, só pode ser válido para o uso doméstico da internet, nunca “dos portugueses” como vem anunciado nos jornais. Ou seja, de fora ficam as pesquisas realizadas no emprego e nas escolas/universidades, que poderiam alterar as conclusões.
Parece-me por isso mais correcto afirmar que Youtube não foi a palavra mais procurada pelos portugueses, do que o seu contrário.

Ps: Segundo uma outra notícia o estudo indica que You tube (com espaço) aparece também no top 10. Veja aqui a comparaçãode 5 resultados com youtube e you tube e sexo e sex agregados.

A cauda longa do marketing de busca

Em menos de 3 meses este blog recebeu centenas de visitantes enviados pelos motores de busca. Para cá chegar esses visitantes inseriram nas caixas de pesquisa diferentes termos ou combinações de termos:

search marketing long tail


Os 10 termos mais utilizados representam menos de 1/4 das visitas, uma percentagem bastante menor se excluirmos a anomalia do primeiro resultado. É natural que esta percentagem cresça à medida que este blog vai subindo nos rankings do google e começa a aparecer bem colocado para termos mais competitivos.

Normalmente os webmasters concentram os seus esforços em estar bem posicionados nos motores de busca para estas combinações mais populares e ignoram quase tudo o resto. À medida que a competição aumenta, os rankings se tornam mais incertos e os utilizadores aprendem a trabalhar com as ferramentas de busca, uma boa optimização interna será extremamente importante para estar no primeiro lugar no Google também para os outros termos, a chamada cauda longa da busca. As combinações que não aparecem no gráfico trouxeram até aqui 3/4 dos visitantes. Visitantes provavelmente melhor informados e já com uma ideia do que procuravam.
No caso deste blog estamos a falar de 742 combinações diferentes, até ao momento.

Adenda: Saiu na sexta mas só no domingo vi, este video da seomoz sobre este mesmo assunto:

Os trabalhos dobrados de um geek meio tubarão- meio esquilo

Foi hoje apresentada oficialmente a rede tubarãoesquilo (TE), um projecto editorial de blogs ao qual o Marketing de Bbusca se orgulha de estar associado. São já perto de três dezenas os associados, entre blogs criados ao longo dos últimos 6 meses já na rede como é o caso deste e blogs transferidos de outras plataformas.

tubaraoesquilo

Como “agente infiltrado;) da TE no PlanetGeek, para o qual foi convidado recentemente gostaria de responder às críticas que os co-planetários Marco, João e Mário lhe dirigiram. E eu que não sou especialista na matéria, nem estava por dentro da polémica lá fui consultar a autoridade maior e infalível da internet: A wikipedia!

As críticas são sobretudo dirigidas ao título do comunicado de imprensa: “PRIMEIRA REDE EDITORIAL DE BLOGUES”. Para quem não está por dentro o primeiro agregador/planeta português é o P*, do qual originou posteriormente o Planeta Geek. Resta saber se são redes o mesmo que planetas?

A wikipedia remete para a página do Planet:

Planet is an awesome ‘river of news’ feed reader. It downloads news feeds published by web sites and aggregates their content together into a single combined feed, latest news first.

Já sobre as redes de blogues vale a pena citar a wikipedia:

A collection of weblogs which are organized and run loosely by centralized management team. Many weblog networks resemble loose examples of magazine publishing houses. Many blog networks seek economy of scale and scope effects to support their web blog authors. Most blog networks make money via advertising revenue.In the future blog networks may bundle their offerings together in RSS readers.”

Eis o que distingue redes de blogs e agregadores: a rede é pensada como um portfólio de publicações destinados a ocupar determinados nichos e a suportarem-se mutuamente bem como aos objectivos da própria rede, sem com isso colocar em causa a independência do blog e do autor – o que aqui publico faço-o livremente e com direitos reservados. Há ainda vários projectos que estão na calha e que não vou aqui discutir. O agregador da rede no site da TE será apenas uma das suas faces visíveis.

Se querem um exemplo porque o PGeek não cabe nesta definição de rede vejam a lista de membros do PGeek onde tanto o João José como o Marco Neves escrevem (e bem) sobre os mesmos temas que aqui abordo. Para haver mais de um blogs numa rede haveria que verificar-se pelo menos um dos dois pressupostos seguintes: audiência elevada e diferenças de abordagem claramente perceptíveis para o visitante. A rede não tem interesse em canabilizar os seus projectos, ainda que existam audiências para os três.

NOTA: um erro na DB faz com que os comentários desta entrada apareçam publicados aqui. Se quiserem comentar usem esta caixa ou façam um trackback do vosso blog, parece estar a funcionar. Transferi-los-ei assim que a assistente da TE corrigir o software (fringe benefits ;) ).

Ainda os “empregos não remunerados” no Google

Nem de propósito, Umair aborda hoje os incentivos do Google em apoiar a produção de informação de qualidade, na linha da minha entrada anterior:

Think about this intuitively: the more crap there is, the more stuff you have to wade through – the happier Google is (at least in the short run).

Let me put this even more succinctly. Google doesn’t care about absolute levels of quality – it only cares about relative levels of quality. And the more media it indexes, the stronger this dilution of incentives gets.

Hence, it’s incentive to “support” content creators, already weak, is going to diminish over time

.(Negritos meus, vale a pena ler a entrada completa.) O google não depende de informação de qualidade para prestar um serviço de valor para aos seus utilizadores. Pelo contrário, quanto mais indiferenciada for essa informação maior o seu poder face a utilizadores e produtores de informação. O seu papel é o de ordenar essa informação por ordem decrescente de interesse para o utilizador.

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