Ética e SEO (III)

Esta é a terceira e última entrada sobre a discussão que envolve algumas técnicas de optimização de sites para motores de busca e a ética, uma questão que afecta a credibilidade do SEO.

O Seo Black Hat é normalmente visto como “não ético” por desrespeitar as directivadas dos motores de busca, particularmente as do Google. Na primeira entrada deixei a pergunta, pode o Google determinar o que é ético ou não?

Enquanto motor de busca o Google é livre de definir padrões de conduta, sugerir comportamentos e penalizar sites transgressores. Mas não pode, nem tem o direito de definir o que não é ético. Não me parece que induzir em erro o mediador seja “não ético”, particularmente quando essa é uma forma aceitável de estar no mundo dos negócios.

O que é ou não ético

Criar um catalogo de sites para o google, ou esconder títulos no CSS são ofensas graves para o Google mas inofensivas para o utilizador e teriam até passado despercebidas não fosse o caso tratar-se de dois dos maiores portais do país. Links escondidos, compra de links em sites relativamente obscuros são outros dos truques relativamente inofensivos.

tirar partido da boa fé dos utilizadores que contribuem para directório, ou de clientes, acenando-lhes com rankings mirabolantes ou um primeiro lugar no Google fictício não é ético. Também não é ético utilizar truques que podem levar a que os sites de clientes sejam banidos do Google sem o conhecimento e acordo destes. Não é ético colocar mensagens em fóruns, listas de email e blogs apenas para deixar o link sem nada de útil acrescentar. Também não é ético redireccionar os utilizadores para uma página diferente daquela que lhes foi prometida.

De uma forma geral defino a presença ética como o respeito por aqueles com os quais trabalhamos, sejam clientes ou utilizadores. Não sou adepto dos truques que enumerei e faço votos para que o Google reduza o valor esperado deste tipo de actividades. Não posso é aceitar que a actividade esteja sujeita a padrões diferentes dos das outras actividades.

Para que não digam que não falo do AEIOU

E logo para gabar o design inovador, minimalista se quiserem, das páginas alojadas na subdirectoria catálogo do AEIOU. Páginas e mais páginas com listas de links internos com o devido texto-âncora, naturalmente…

aeiou doorway pages

Lixo cibernético, webspam se quiserem. Descobri-o ao visitar o Ego strip, do Pedro Dias, de onde aliás retirei a captura.
A responsabilidade aqui não é toda do AEIOU porque o Google sabe destas práticas e tolera-as, pelo menos está perfeitamente ao corrente destas habilidades do NYTimes. Já quanto a sites mais pequenos eu não fiava…

Agora vem a parte séria: se repararem ao fundo da imagem, onde o texto começa com tamanho menor, o primeiro link lê-se “Aula do Risco” (ver na página). O que vem a ser isto, mais uma página do AEIOU?

Sim…
directorio aeiou

Uma página do directório, que supostamente apresenta o site Risco.pt. Perceberam a esperteza saloia?
Está o Zé Webmaster todo contente a registar o seu site no directório do AEIOU e ao mesmo tempo o portal tenta tirar partido do seu registo para forçar os visitantes a uma paragem pelo caminho (Google -> site de destino) e engrossar as estatísticas e receitas. Com um pouco de sorte ainda se distraem pelo caminho…

É possível que este truque nada simpático seja uma reminiscência de um passado não muito distante, quando o AEIOU linkava os sites do seu directório através de um redirecionamento temporário (ie, o link não passa valor) originando frequentemente aquilo que se chama de “302 hijack”: páginas da directoria do portal têm uma capacidade razoável para aparecer nos SERPS, e muitas vezes apareciam nos resultados antes dos sites para os quais linkavam por estes não terem backlinks ou estarem optimizados. Escusado dizer que páginas destas encontravam-se carregadas de publicidade e distracções.
Se é esse o caso, o que continua o “catálogo” a fazer online?