O melhor posicionamento nem sempre é aparente

Por vezes não fazer nada pode ser boa política. Hoje trago-vos uma história fictícia com base numa notícia recente e que demonstra como as soluções mais simples requerem um conhecimento profundo.

small and bigUma certa pequena e quase desconhecida empresa partilhava parte do seu nome, e logo a parte mais distinta do nome, com uma organização multinacional gigantesca. Procurando pelo nome desta nos motores de busca era impossível encontrar o site da primeira, ainda que fosse essa a parte mais significativa da sua denominação.

A presidente da pequena empresa via nisso um problema sério ao desenvolvimento das actividades da mesma e pediu ajuda a três especialistas em marketing.

O primeiro sugeriu que a pequena organização comprasse anúncios no Google e Yahoo. Sempre que alguém procurar pelo nome da organização encontrará um anúncio nosso. Mesmo que não saiba de nós, terá oportunidade de nos conhecer, explicou. Quando lhe foi perguntado pelo custo respondeu “Se for para todas as buscas será uma pequena fortuna”. A presidente não gostou muito.

O segundo sugeriu uma forma de contornar o problema: muda-se o nome da empresa e voilá, problema resolvido. A presidente não desgostou da ideia mas estava apreensiva. O nome tinha a sua própria história de séculos e fazia parte da identidade dos membros da organização. Todavia, aceitou colocar a questão a votação.

O terceiro explicou que o problema não estava no nome mas no posicionamento do seu site: Os seus clientes procuram pelos nomes dos seus produtos; é para esses termos que deve posicionar o site nos motores de busca. Para mais, o site não tem sequer versão em língua inglesa – muitos dos clientes são estrangeiros, recordou.

«E paga-se ao clique?», perguntou a presidente. Não, os cliques são gratuitos. Vai é dar bastante trabalho e demorar algum tempo a posicionar o site, sobretudo para os termos mais competitivos. A presidente explicou que nesse caso já não estava interessada por aí além e desabafou: Se não mudar-mos de nome teremos de pagar ao Google.

O marketeiro ia para explicar que o site estava em primeiro no google para o seu nome completo, e que o nome era tudo menos um problema, mas deteve-se: “Está realmente disposta a mudar o nome?… Isso dava uma excelente história, se esquecêssemos o que eu lhe disse.”

A ficção termina aqui, embora ela se possa confundir com a realidade nas mentes mais conspiradoras:

The French town of Eu is planning to change its name after failing to attract potential tourists on the internet.

[...]
Marie-Françoise Gaouyer, the local mayor, now has two options – to pay internet giants like Yahoo and Google thousands to put the town at the top of all “Eu” searches, or change the town’s name.

[...]
The mayor, who believes tourism revenues are down by as much as a third because of the town’s current name, now wants all of the alternatives put to the local population of some 8,000 in a referendum.

O site é tal como está acima descrito: apenas em francês, orientado à informação sobre esta vila normanda, surge em primeiro lugar para uma busca por ville d’e Eu (e com sitelinks.)

Quem sabe de SEO compreende que o problema não está no nome da vila. Sabendo que esta história foi republicada e o site da vila linkado em dezenas de publicações é fácil dizer que, por vezes, a melhor optimização passa por ignorar as tags e fazer relações públicas.

Ou que a ignorância pode ser uma benção, até nos motores de busca.

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